3.16.2011

A criança e a quimera

a memória que ficou pela areia
num remanso qualquer do amanhecer
foi-se, nas palmas duma maré cheia,
para além do que se permitiu ver:

são ondas compondo ondas de outro ser,
vão levando, de cada infância alheia
num remanso qualquer do amanhecer
a memória que ficou pela areia

pois nada restou, nada que se leia
talvez o plano, o alicerce do querer:
quando um castelo n'água enfim arreia
um sonho morreu mesmo sem nascer
na memória que ficou pela areia

1 comentários:

leila saads disse...

Gostei muito desse!
Ficou leve e, ao mesmo tempo, guarda aqueles ares de melancolia da memória/saudade.